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        Dr. Luís Marques Mendes apresenta, na Lusíada, livro do Embaixador Alberto Franco Nogueira.
        Helena Maria de Resende
        / Categorias: Cultura

        Dr. Luís Marques Mendes apresenta, na Lusíada, livro do Embaixador Alberto Franco Nogueira.

        "Trinta anos, trinta conferências" é o nome da coletânea de textos do Embaixador Alberto Franco Nogueira (1918–1993), publicada agora, a título póstumo, numa iniciativa e edição da família, cujo lançamento ocorreu nas instalações da Universidade Lusíada (Lisboa), casa que o recebeu como professor, no dia em que perfazem 31 anos do seu falecimento, a 14 de março de 1993. A obra, que conta com o prefácio do Professor Doutor Jaime Nogueira Pinto, foi apresentada pelo Dr. Luís Marques Mendes, advogado e comentador, com vasta experiência política em funções parlamentares e governativas.

        No dia 14 de março de 2024, foi apresentada ao público, numa edição da Estúdio Didáctico / AFN, em parceria e colaboração com a filha do homenageado, Dr.ª Aida Franco Nogueira, uma obra que reúne várias conferências proferidas pelo Embaixador Alberto Franco Nogueira, no decurso de três décadas, iniciando-se com um discurso feito em 1961, em Lourenço Marques, durante uma visita oficial, e terminando, em 1991, com uma conferência em Viana do Castelo, sobre "Visão geral de Portugal no mundo", sendo que os textos, maioritariamente, se centram na temática da política externa portuguesa.

        Alberto Marciano Gorjão Franco Nogueira, nascido em Vila Franca de Xira, a 17 de setembro de 1918, foi muito mais do que o "biógrafo oficial de Salazar", recorrendo às palavras do historiador Rui Ramos (fonte: podcast "E o resto é História", Observador). Foi, sobretudo, um homem consciente e coerente no rumo que tomou no seu percurso político, com a presença, constante, da "[…] defesa da independência e da identidade nacional [e da] denúncia dos riscos e perigos para essa independência e identidade […]", afirmando o Professor Jaime Nogueira Pinto, no Prefácio desta obra, que "[…] Franco Nogueira era assim, um só: homem, político, intelectual, professor. Sempre patriota, sempre português. "O seu realismo político, aliado ao seu nacionalismo, são, no entender do prefaciador, os traços principais das convicções de Franco Nogueira. No preâmbulo de um dos seus escritos mais emblemáticos, no período pós-25 de abril, "Juízo final" (1992), defende que "[…] Agir com fé em função dos princípios que possui, das convicções que sente, dos valores em que acredita – eis o dever de todo o homem".

        Ilustração 1 (da esquerda para a direita): Dr. Luís Manuel Gonçalves Marques Mendes, Professor Doutor Ricardo Luís Leite Pinto, Dr.ª Aida Franco Nogueira, Professor Doutor José Artur Anes Duarte Nogueira e Dr. Jorge Barbosa. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2024)

        A sessão de abertura foi presidida pelo Vice-Chanceler da Universidade Lusíada, Professor Doutor Ricardo Luís Leite Pinto, que apresentou os restantes elementos da mesa: a Dr.ª Aida Franco Nogueira, o Dr. Luís Marques Mendes, o Vice-Reitor, Professor Doutor José Artur Anes Duarte Nogueira e o Dr. Jorge Barbosa, da referida editora.

        O evento iniciou-se com o destaque do Convénio geral celebrado entre o Instituto Diplomático do Ministério dos Negócios Estrangeiros e a Fundação Minerva – Cultura – Ensino e Investigação Científica / Universidade Lusíada, assinado por representantes das duas Instituições no dia 9 de fevereiro de 2024, com vista ao acesso, por parte de investigadores do Centro de Estudos Jurídicos, Económicos, Internacionais e Ambientais (CEJEIA), ao acervo documental do Embaixador Alberto Franco Nogueira, depositado no referido Instituto Diplomático, para consulta, estudo e publicação. Recorde-se que, em 2018, por ocasião do centenário do nascimento do antigo ministro dos Negócios Estrangeiros a filha, Dr.ª Aida Franco Nogueira, doou o arquivo pessoal do pai ao Arquivo Diplomático do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE). O responsável por esta articulação, o Professor José Duarte Nogueira, salientou que o Ministério dos Negócios Estrangeiros, através do seu arquivo, é o depositário de "[...] um acervo gigantesco" (entre 4 a 5 milhões de documentos), ao qual, agora, se torna mais fácil aceder, por parte de estudantes e investigadores da Universidade Lusíada, denotando o empenho da instituição de ensino em procurar fomentar o conhecimento através dos dados contidos neste acervo, numa "[...] procura da compreensão de momentos críticos em que Portugal se viu envolvido [...]". O Vice-Reitor destacou, nas negociações entre as duas Instituições, o apoio e contributo da Dr.ª Margarida Maria Gomes Quintão Lages, diretora do Arquivo e Biblioteca do Instituto Diplomático, que, por motivos de agenda, se viu impossibilitada de comparecer a este evento.

        Ilustração 2 (em destaque): Dr.ª Aida Franco Nogueira. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2024)

        A Dr.ª Aida Franco Nogueira, na sua intervenção, esclareceu as razões que a levaram a avançar com o projeto de publicar estes textos, para além da promessa feita a sua mãe, que sempre acompanhou o embaixador no seu percurso como político. Nos cerca de cinco anos que levou a organizar o arquivo do pai, para o depositar no MNE, foi colocando de lado algumas conferências, que, pela sua pertinência e até atualidade, considerou que devia partilhar com o público.

        A editora, representada pelo Dr. Jorge Barbosa, descreveu o projeto como um dos mais difíceis que teve, mas "[...] também dos mais encantadores, [tendo sido] uma jornada desafiante [que possibilitou] entrar na mente de uma das pessoas mais brilhantes da nossa história política do século passado [...]". O editor considera que "[...] este livro não só nos dá um olhar privilegiado sobre a história política de Portugal, mas, também nos convida a refletir sobre os desafios e as aspirações que moldaram o país ao longo de décadas de mudanças e de transformações, [deixando votos que] nos inspire a compreender melhor o nosso passado, a enfrentar os desafios do presente e a construir um futuro mais promissor [...]".

        Ilustração 3: Capa da obra. (© Estúdio Didáctico / AFN, 2024)

        O homem e a obra foram apresentados e analisados pelo Dr. Luís Marques Mendes, que começou por chamar a atenção para o facto destes escritos terem sido produzidos "[...] num tempo político radicalmente diferente" daquele que vivemos atualmente, enfatizando ainda a diferença de convicções entre o autor e ele próprio, o que não o impede de respeitar o homem (e a obra), considerando até simbólico o lançamento, próximo dos 50 anos do 25 de abril de 1974. Assume, para ele, "especial significado […] que [textos de] uma das maiores referências do Estado Novo, um dos maiores servidores do antigo regime", sejam publicados nas vésperas da comemoração da democracia, alcançada pela revolução de 1974. "A democracia é isto [frisou]: é o regime de abertura e de tolerância [defendendo] o saudável direito à diferença, [porque], na diversidade do seu pensamento, todos fazem parte da nossa história, todos têm lugar: os de ontem, os de hoje e os que hão-de vir […]".

        O analista político confessou ter ficado surpreendido pelo convite para apresentar esta coletânea, até porque nem privou, nem conheceu pessoalmente o Embaixador Alberto Franco Nogueira, aceite "[…] pela simpatia do convite, pelo desafio desta oportunidade e por respeito ao político, ao intelectual e ao diplomata de qualidade superior, [e por considerar que] é bom que se estude e divulgue o pensamento de Franco Nogueira […]".

        O Dr. Luís Marques Mendes referiu "um novo movimento", recente no nosso país, que privilegia a publicação de memórias, testemunhos e biografias de figuras públicas, fenómeno que é, para ele, "[…] um sinal de maturidade cultural e de desenvolvimento coletivo […]: o direito a escrever é uma prerrogativa da cidadania, mas o dever de escrever é uma exigência de responsabilidade que se assume pelos cargos que se exercem [e] é uma responsabilidade perante a história […]".

        Foi realçada uma particularidade: o consenso que reúne, à direita e à esquerda (politicamente falando), a figura de Franco Nogueira, partilhando-se ou não das suas ideias e convicções. Aqui, o comentador aproveitou o prefácio do livro, escrito pelo Professor Jaime Nogueira Pinto, e um texto do também embaixador Seixas da Costa, de 2018, com exemplos desta unanimidade de opiniões. Das palavras deste último, destacou, relativamente ao Embaixador Franco Nogueira, "[…] o empenhamento, a competência e a qualidade técnica, o singular talento como político e como conceptualizador e brilhante ator diplomático […]".

        A coerência é, para o Dr. Luís Marques Mendes, um traço marcante da personalidade de Franco Nogueira, dentro e fora da cena política, antes e depois da democracia, considerando que nunca "[…] perdeu coerência, nem convicções, nem qualidade […]", algo que se evidencia pela leitura dos textos agora publicados.

        Na análise crítica da coletânea, o apresentador destacou cinco marcas:

        1. O foco na política externa portuguesa, onde se reflete "[…] mais do que a sua especialidade, a sua devoção […]";
        2. "O pessimismo virtuoso" que transparece da leitura dos textos, de um homem preocupado e atormentado, principalmente com a soberania e a identidade de Portugal: "[…] pessimismo que não é derrotismo nem resignação […], mas que convida ao desafio e à ação […]";
        3. A coerência que sempre manteve na defesa do que considerava o melhor para Portugal, sobretudo nas relações com outros Estados;
        4. "Um pensamento político denso, estruturado e fundamentado […]", uma necessidade, no seu entender, muito atual;
        5. A reflexão, muito assertiva, sobre as elites nacionais: "[...] um retrato talvez um pouco cruel das nossas elites [mas] que não deixa de ter algum sentido e autenticidade e, no mínimo, deve convidar-nos à reflexão; no máximo, deve desafiar-nos a um esforço de transformação de mentalidades […]".

        Num apontamento final, o Dr. Luís Marques Mendes ressalva "[...] um dos grandes méritos de Franco Nogueira: nunca deixava ninguém indiferente […]".

        A Universidade Lusíada (Lisboa) congratula-se por esta oportunidade para, mais uma vez, se associar a uma homenagem a um dos elementos mais destacados da sua vida académica, que aqui foi docente e diretor do Departamento de História, tendo acompanhado o nascimento e os primeiros anos desta Instituição que a ele dedicou um dos seus auditórios.

        página web calendário fotogaleria

        ____________________________________
        Fotografia do banner: Dr. Luís Manuel Gonçalves Marques Mendes. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2024)

         

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