Lusíada organiza conferência internacional sobre a guerra na Ucrânia.
No dia 14 de outubro de 2026 teve lugar, na Universidade Lusíada (Lisboa), a conferência internacional "Mais de quatro anos de guerra na Ucrânia", uma iniciativa do Centro de Estudos Jurídicos, Económicos, Internacionais e Ambientais (CEJEIA), em conjunto com a associação Ukrainian Refugees UAPT, que debateu a evolução do conflito, as suas consequências e as perspetivas para o futuro. A organização envolveu as Professoras Doutoras Margarida Salema d'Oliveira Martins, diretora do CEJEIA, e Teresa de Andrade Leal Coelho, docente da Faculdade de Direito (FD) e investigadora do referido centro de investigação. A moderação esteve a cargo do Professor Doutor António Manuel Gonçalves Alexandre, igualmente docente da FD e investigador do CEJEIA.

Ilustração 1 (da esquerda para a direita): Professor Doutor António Manuel Gonçalves Alexandre, Professor Doutor José A.R.L. González, Professora Doutora Margarida Salema d'Oliveira Martins, Professora Dr.ª Teresa Leal Coelho e Professor Doutor António Júlio Cunha. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2026)
A sessão de abertura contou com a presença do Reitor da Universidade Lusíada, Professor Doutor José Alberto Rodríguez Lorenzo González e do diretor da Faculdade de Direito, Professor Doutor António Júlio da Fonseca Santos Cunha, que acompanharam, na mesa, as responsáveis pela organização e o moderador. As boas-vindas aos oradores e a pertinência da iniciativa foram destacadas pelos representantes da instituição e da FD, tendo o Reitor sublinhando a vertente humanitária subjacente à realização desta conferência, afirmando que "os estadistas, quem nos governa, não têm noção que as pessoas querem, sobretudo, ser felizes, e não é por meios agressivos". Referiu fazer parte do ensino aos estudantes da Universidade Lusíada "uma formação ética e cultural", servindo esta iniciativa esse propósito. Na intervenção do Professor António Júlio Cunha, foram salientadas as duas áreas do saber que constituem esta faculdade: as Relações Internacionais e o Direito que, neste evento, têm um elemento comum: "o Direito, a lei é sempre melhor que a guerra, em todas as circunstâncias, [apesar de existirem contextos nos quais], para fazer valer o Direito, é preciso a luta e a guerra: para fazer prevalecer o justo, o que é equitativo, o que é o bem, por vezes, é preciso o sacrifício".

Ilustração 2: Anatolii Yatskovyi, Sergei Nazarenko, Sergei Kozachenko e Professor Doutor António Manuel Gonçalves Alexandre. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2026)
A Professora Margarida Salema d’Oliveira Martins, reiterou as boas-vindas, agradecendo a toda a equipa do CEJEIA que ajudou à concretização desta conferência, frisando a importância do Direito Internacional, defendendo a "force of the Law" e não a "Law of the force". A Professora Teresa Leal Coelho avançou ser "um privilégio ouvir testemunhos em primeira mão" de um conflito que, na realidade, teve início em 2014, e que se refere a uma agressão a um "estado soberano autodeterminado europeu" que está, desde 2022, a defender "a liberdade de todos os europeus".
Antes dos testemunhos ucranianos, o Professor António Alexandre partilhou com a assistência alguns dados históricos sobre a situação na Europa de Leste, com este conflito a ter raízes na anexação ilegal por parte da Federação Russa (FR) da Península da Crimeia, em fevereiro de 2014, e com a invasão, em fevereiro de 2022, do território ucraniano do Donbas. O investigador é de opinião que esta decisão da FR "fez regressar a guerra ao continente europeu e deve ser analisada a um nível regional, mais do que local, com resultados a ter uma abrangência claramente global". Lembrou que, em 2007, Vladimir Putin, presidente da FR, na conferência de segurança de Munique, fora extremamente agressivo, repetindo o que, dois anos antes, no discurso anual sobre o Estado da Nação perante o Parlamento russo (Assembleia Federal), em Moscovo, tinha afirmado: a implosão da URSS foi a maior catástrofe geopolítica do século XX. Só muito recentemente, em 2022, com a invasão da Ucrânia, o Ocidente teve consciência do que estas palavras implicavam. O professor referiu, ainda, que "a Ucrânia tem-se assumido inequivocamente como um travão às pretensões russas."

Ilustração 3 (da esquerda para a direita): Professora Dr.ª Teresa Leal Coelho, Olga Altunina, Anatolii Yatskovyi, Sergei Nazarenko, Sergei Kozachenko e Professor Doutor António Manuel Gonçalves Alexandre. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2026)
O programa seguiu com os testemunhos dos veteranos ucranianos, Sergei Nazarenko, Anatolii Yatskovyi e Sergei Kozachenko, militares da Força Especial OMEGA da Guarda Nacional da Ucrânia que participaram em operações de combate, e, ainda, com a intervenção da Dr.ª Olga Altunina (Deputy Ombudsman), representante do Provedor de Justiça para os Direitos dos cidadãos afetados pela agressão armada contra a Ucrânia. As intervenções foram proferidas em ucraniano, com tradução em simultâneo para português, de modo a que todos pudessem ouvir e participar ativamente no debate.

Ilustração 4: Pormenor do auditório. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2026)
A guerra na Ucrânia, cujas origens mais remotas datam de 2014, é um caso particularmente relevante para analisar as transformações da segurança europeia e internacional, os impactos humanitários, políticos e económicos de um conflito prolongado e os desafios colocados ao Direito Internacional e aos mecanismos de cooperação multilateral. Esta conferência pretendeu aprofundar a compreensão destas dinâmicas e promover uma reflexão crítica sobre as perspetivas de evolução do conflito. O encontro proporcionou, ainda, aos estudantes a oportunidade de ouvir e dialogar com militares veteranos que participaram em operações de combate na Ucrânia, permitindo aproximar a análise académica da experiência vivida no terreno, contribuindo para uma compreensão mais aprofundada das dimensões humanas e militares da guerra.
Esta iniciativa deu continuidade à conferência internacional "Um ano de Guerra na Ucrânia", realizada em 23 de fevereiro de 2023, e insere-se no projeto de investigação "O Estado de Direito na Europa e em particular em Portugal", do CEJEIA. A reflexão incidiu sobre a segurança europeia e internacional, os impactos humanitários, políticos e económicos do conflito e os desafios colocados ao Direito Internacional e à cooperação multilateral. O enquadramento científico articulou duas dimensões centrais da investigação do CEJEIA: por um lado, o Estado de Direito, a segurança e a ordem internacional; por outro, as relações entre conflito e cooperação.
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Ilustração do banner (da esquerda para a direita): Anatolii Yatskovyi, Sergei Nazarenko e Sergei Kozachenko. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2026).
