Professor António Rebelo de Sousa lança livro, na Sociedade de Geografia de Lisboa, sobre a Conferência de Berlim (1884-1885).
 |
|
Ilustração 1: Professor Doutor António Jorge Duarte Rebelo de Sousa durante a conferência. (© Diário de Bordo Editores, 2025)
|
O Professor Doutor António Jorge Duarte Rebelo de Sousa, docente da Faculdade de Ciências da Economia e da Empresa (FCEE), investigador do Centro de Investigação em Organizações, Mercados e Gestão Industrial (COMEGI), vice-presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa (SGL) e, ainda, membro da direção da Ordem dos Economistas, proferiu, no dia 10 de julho de 2025, uma palestra na Sociedade de Geografia de Lisboa, integrada nas comemorações dos 150 anos da instituição, subordinada ao tema "Conferência de Berlim e Portugal", na qual analisa o papel de Portugal no encontro, a questão do Mapa Cor-de-Rosa e o Ultimato Inglês.
A intervenção do Professor António Rebelo de Sousa teve por base a obra "Da Conferência de Berlim", levada ao prelo pela Diário de Bordo Editores, em maio de 2025, correspondendo ao volume 25.º da coleção "Memórias" da SGL, tendo sido este evento igualmente aproveitado para o seu lançamento e divulgação pública.
A Nota Introdutória é da autoria do Presidente da SGL, Professor Doutor Eng. Luís Aires-Barros, que considera que "esta importante Conferência dos finais do século XIX marcou essa época e repercutiu-se por todo o século XX", e a relevância desta obra assenta no facto das implicações (e decisões) da Conferência de Berlim terem efeito ainda no século XX, contribuindo para movimentos de libertação e independência de colónias europeias, sobretudo no continente africano, e, ainda, várias repercussões no Direito Internacional. O Prefácio foi da responsabilidade do professor catedrático do ISEG – Instituto Superior de Economia e Gestão (Universidade de Lisboa), Professor Doutor Nuno Valério, que aponta que o Professor António Rebelo de Sousa "estuda a Conferência de Berlim com uma abordagem de inspiração implicitamente braudeliana […], que não se limita a descrever acontecimentos, mas traça igualmente o quadro estrutural e conjuntural em que os factos, com os seus diferentes ritmos de evolução, ocorrem, [sendo este trabalho] um contributo muito valioso para o conhecimento e a compreensão de um momento decisivo para a partilha de África em geral e para a formação do Quarto Império Colonial Português e das atuais nações africanas de raiz cultural portuguesa em particular."

Ilustração 2 (da esquerda para a direita): Professor Doutor Eng. Luís Aires-Barros e Professor Doutor António Jorge Duarte Rebelo de Sousa. (© Diário de Bordo Editores, 2025)
O trabalho do Professor António Rebelo de Sousa, celebra os 150 anos da SGL e contempla, na sua parte inicial, uma abordagem às estruturas de longo prazo, recuando até aos séculos XV e XVI e ao início da presença portuguesa no continente africano; seguidamente, apresenta uma análise da conjuntura que levou, entre 1884 e 1885, à reunião na cidade alemã, para organizar a partilha do continente africano entre as várias potências europeias, estabelecendo regras para a ocupação de territórios e para o comércio, sem qualquer participação dos povos africanos.
A Sociedade de Geografia de Lisboa foi criada a 10 de novembro de 1875 com o objetivo de promover o estudo e o progresso das "Sciencias Geographicas no paíz", tendo surgido num contexto histórico específico, nomeadamente a posição portuguesa no Ultramar e especialmente em África.
 |
|
Ilustração 2 (da esquerda para a direita): Professor Doutor António Jorge Duarte Rebelo de Sousa e Dr. Paulo Azevedo Noguez, editor da Diário de Bordo Editores. (© Diário de Bordo Editores, 2025)
|
A Conferência de Berlim, que teve lugar entre 15 de novembro de 1884 e 26 de fevereiro de 1885, promovida pelo Chanceler alemão Bismarck, contou com 14 países ̶ Alemanha, Áustria-Hungria, Bélgica, Dinamarca, França, Grã-Bretanha, Itália, Noruega, Países Baixos, Portugal, Rússia, Suécia, Império Otomano e EUA e foi uma das mais importantes realizadas na segunda metade do século XIX, visando, entre outras questões, regular o Direito Internacional Colonial. A agenda do encontro contemplava vários pontos principais: a liberdade de comércio em toda a bacia do Zaire e na sua foz; a aplicação dos princípios do Congresso de Viena quanto à navegação nos rios internacionais (entre outros, Congo e Níger); a definição de regras uniformes nas relações internacionais relativamente às ocupações que poderão realizar-se no futuro nas costas do continente africano; e regulamentar o tráfico de escravos. A posição portuguesa ficava especialmente afetada com o conteúdo do Capítulo VI do Ato Geral de Berlim, com a "declaração relativa às condições essenciais a preencher para que as novas ocupações na costa do continente africano sejam consideradas efetivas", tendo, ainda, sido forçado a reconhecer o princípio da livre navegação dos rios internacionais. No entanto, "Portugal conseguiu assegurar dois resultados da Conferência: impedir o estabelecimento da "Associação Internacional Africana" na margem direita do Zaire; e a não inclusão no Acto Geral da referência inglesa à internacionalização do Zambeze." (fonte: Portal Diplomático)
 |
|
Ilustração 3: Capa do livro "Da Conferência de Berlim". (© Diário de Bordo Editores, 2025)
|
A série "Memórias", iniciada em 2002, "foi criada para dar a conhecer textos de muito interesse e valia produzidos por sócios e propostos à Direção para publicação, e que pela sua dimensão não cabem nos fins do Boletim. Pretende a SGL marcar presença no mundo cultural nacional dando a conhecer produtos de investigação pessoal quer sobre temas vocacionados para os antigos territórios ultramarinos, quer sobre estudos do espólio da SGL, quer ainda como resultados de trabalhos coletivos realizados nas Comissões Gerais ou nas Secções Profissionais." (fonte: SGL)
A Diário de Bordo Editores "é uma editora especializada, dedicada à criação de publicações de análises aprofundadas, comentários especializados e conteúdo de ponta em diversas áreas […], procurando divulgar os contributos de profissionais, decisores e académicos com os mais recentes conhecimentos e perspetivas críticas sobre cenários em constante evolução." A editora tem "uma forte ênfase nas dinâmicas de segurança globais, estratégia militar, tecnologias de defesa e mudanças geopolíticas […]", com um conteúdo que abrange uma vasta gama de tópicos que têm impacto na segurança nacional e internacional. (fonte: Diário de Bordo Editores)
________________________________________
Fotografia do banner: Pormenor do lançamento do livro "Da Conferência de Berlim". (© Diário de Bordo Editores, 2025)
